Um dos grupos de teatro mais antigos do Brasil, com carreira de mais de 35 anos e inúmeros espetáculos históricos no currículo, o
Grupo Galpão de Belo Horizontes, MG é o convidado para realizar o encerramento de
6º Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha.
A apresentação do espetáculo "
NÓS", um dos últimos trabalhos do grupo, estreado em 2016, está programada para acontecer no dia 12 de maio, no Teatro Municipal de Itajaí.
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foto de Bob Souza |
“
NÓS somos nós, esse coletivo de 35 anos de existência e nós, seres humanos e artistas de teatro para lá dos
cinquenta, com suas perplexidades, questões, angústias, algumas esperanças e muitos nós”, explica o ator
Eduardo Moreira, sobre o que o público pode esperar do mais recente trabalho do Galpão.
Em cena,
Antonio
Edson, Beto Franco, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e
Teuda Bara celebram a
vida enquanto preparam a última sopa e debatem, sob um prisma político, questões do mundo
contemporâneo – a intolerância, a violência, a diversidade, a convivência com a diferença.
Em cena, noções de proximidade e convivência. Proximidade entre ator e espectador, cena e plateia, ator e
personagem, ser-social e ser-poético, realidade e ficção. Convivência entre diferenças, onde o outro dá a
dimensão da nossa existência. Pontes entre teatro, performance, música e literatura. E, ainda, entre as
dimensões do que é privado e o que é público, do que está dentro e do se apresenta fora.
“
NÓS” propõe uma
encenação que afirma a convivência com o público, no momento da apresentação, como elemento
dramatúrgico, e ao mesmo tempo, sua presença, como ato criativo.
Para chegar nesse resultado, tudo começou em 2014, quando
Marcio Abreu foi convidado para a direção de
“
NÓS”. Na época os atores se entregavam a exercícios solo, com o objetivo de contemplar desejos
individuais e criar alternativas para um projeto coletivo. O diálogo e o confronto entre o coletivo e os anseios
de cada artista se manifestavam de maneira urgente, num grupo de atores com mais de três décadas de
convivência artística diária.
Os atores mergulharam ainda em diversas leituras de textos contemporâneos, como “
Programa de
Televisão” de
Michel Vinaver e “
Ódio à Democracia” de
Jacques Rancière, entre outros. Marcio provocou
questões que foram fundamentais para definir qual caminho seguir na estruturação do texto e da
encenação: “o que podemos fazer juntos?” e “de que maneira respondemos ou reagimos ao mundo como
ele nos chega hoje?”, perguntas às quais sempre recorria no decorrer dos ensaios. Para o diretor, “buscar
uma abordagem política num trabalho de criação é pensar não só no que dizer, mas como dizer, e nesse
sentido, a forma dos textos é tão fundamental quanto o conteúdo. Assim podemos encontrar uma zona de
diálogo mais intenso entre nós e entre nós e o mundo lá fora”.
Nesse contexto, a criação teatral seria um ato de pura incompletude, em que se faz necessário recomeçar
sempre, mesmo que não se saiba nem como, nem por quê. “Obstinado como o próprio “fazer teatral”, ofício
de que não desistimos nunca e continuamos em frente, mesmo que os tempos pareçam demasiado
sombrios. Ato pelo qual esperamos sempre reafirmar que seguimos vivos, ato de reinvenção”, completa,
Eduardo Moreira.
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foto de Blenda Souto Maior |
GRUPO GALPÃO
Criado em 1982, o Grupo Galpão tem sua origem ligada à tradição do teatro popular e de rua. Desenvolve
um teatro que alia rigor, pesquisa e busca de linguagem, com montagem de peças que possuem grande
poder de comunicação com o público. Há 22 anos mantendo a mesma formação, composta por 12 atores, o
grupo permanece relevante na cena teatral nacional graças à capacidade de adaptação e busca pelo novo,
características que fazem do Grupo Galpão uma das mais reconhecidas companhias de teatro do país.
MARCIO ABREU
Dramaturgo, diretor e ator. Fundador e integrante da Companhia Brasileira de Teatro, sediada em Curitiba.
Desenvolve projetos de pesquisa e criação de dramaturgia própria, releitura de clássicos e encenação de
autores contemporâneos inéditos no país. Realiza ações de intercâmbio com artistas do Brasil e da França.
Entre seus trabalhos recentes estão Vida (2010), texto e direção, baseado em Paulo Leminski;
Oxigênio (2010), do russo Ivan Viripaev, adaptação e direção; Isso te interessa? (2011), da francesa Noëlle
Renaude, tradução, adaptação e direção; Enquanto estamos aqui (2012), dramaturgia e direção, solo de
dança e teatro com a coreógrafa Marcia Rubin; Esta Criança (2012), do francês Joël Pommerat, direção,
pareceria entre a Companhia Brasileira e Renata Sorrah. “Krum” (2015) também veio como fruto deste
encontro com a atriz. Escreveu uma versão de Os três porquinhos para a Commedie Française, dirigida por
Thomas Quillardet, com temporada de estreia em 2012, em Paris. Autor de A história do rock por Raphaelle
Bouchard, que estreou em Limoges, na França, também em 2012, com a Compagnie Jakart Mugiscué.
Recebeu inúmeros prêmios e indicações. Entre eles o prêmio Bravo!, o prêmio Shell, o APCA, o prêmio
Governador do Estado, no Paraná, o APTR e o Questão de Crítica. Foi escolhido pelo jornal Folha de São
Paulo como personalidade teatral do ano, em 2012.
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foto de Blenda Souto Maior |